terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Desvario de um colibri

De um coração em flor
Um pássaro aprendeu,
Pelos áridos caminhos
Da razão infecunda,
A sorver o néctar
Sem espalhar o pólen.

Alma enganosa, enganada,
Rejeitou da natureza o sagrado
E negou-lhe o cerimonial beijo
Que os estames anelam, repletos
De promessas e dos frutos
Das renovadas primaveras.

Insensata ave pragmática!
Aquilo de que te esquivas,
Os sublimes ritos dos amores,
É do teu ser o real sustento.
E, por tua mentalidade prática,
Ainda hás de extinguir todas as flores.

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