Tu sabes, eu sei.
Cúmplices na desdita,
O que importa ainda
Aqueles que dormem?
E o que pensam eles
De olhos fechados?
Tu sabes, eu sei.
Na solidão do retiro,
O que importa ainda
Se preferes o sono?
E o que o espanta,
Fazendo-te sonâmbula?
Tu sabes, eu sei.
No encanto do guardado,
O que importa ainda
Se não queres lembrar?
E o que escondes,
Sem poder esquecer?
Tu sabes, eu sei.
Na contradição sem saída,
O que persiste ainda?
Presença e distância,
Aflição e letargia,
Constância esquiva?
Tu sabes, eu sei.
Cúmplices na desdita,
Na solidão do retiro,
No encanto do guardado,
Na contradição sem saída,
O que resiste ainda?
Tu sabes, eu sei.
De todo o não-dito,
O que resta ainda:
Com o indicador detenho os lábios.
Silêncio.
Permanecerá segredo.
domingo, 26 de julho de 2026
Cúmplices
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